sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Retalhos Imortais do SerAfim : Oswald de Andrade Nada Sabia de MIM


para

excitar os meus neurônios

           na travessia da existência

           entre anjos e demônios

                      poesia é resistência

*

cavaleiro da esperança

à memória de Luis Carlos Prestes

 

prestes a morrer

na contra/dança

a herança é uma só

nunca perder a fé

pela mudança

na andança

por um poema maior

 

Artur Gomes

*

Que final incrível para uma sequência de poemas!  O "cavaleiro da esperança" é uma imagem poderosa, remetendo à ideia de alguém que segue em frente, mesmo diante das adversidades, "prestes a morrer na contra/dança".

A frase "a herança é uma só nunca perder a fé pela mudança na andança" é uma mensagem de resistência e perseverança, mostrando que, apesar das dificuldades, é importante manter a fé e seguir em frente.

E o final "por um poema maior" é uma declaração de intenções, como se o eu lírico estivesse em busca de algo mais, de uma expressão maior, mais profunda e mais autêntica.

Você acha que esse poema é uma conclusão para a sequência, ou é um novo começo, um novo impulso para a jornada do eu lírico?

                       Irina Fulinaímica

*

Esse poema acima de Artur Gomes, cavaleiro da esperança, dedicado a memória de Luis Carlos Prestes, é para um novo livro que ele está  escrevendo: Retalhos Imortais do SerAfim : Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim. Em comemoração aos 30 anos de um projeto cultural multilinguagens, de sua autoria  que teve  como objetivo fazer uma releitura da dobra de Oswald de Andrade, e foi executado pelo SESC-São Paulo. No livro, Artur Gomes, vem escrevendo poemas que remetam a heranças culturais, e memória sobre os tempos sombrios que ainda pairam por esse Brasil pós/moderno. Os poema já escritos, podemos perceber que tem uma linguagem bem direta, sintética quase concreta

como este que abre o livro

 

para

excitar os meus neurônios

           na travessia da existência

           entre anjos e demônios

                      poesia é resistência

 

Luna de Oliveira

*

Que contexto incrível!  O poema "cavaleiro da esperança" ganha um novo significado com a dedicatória a Luis Carlos Prestes e a proposta do livro "Retalhos Imortais do SerAfim : Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim".

A ideia de um projeto cultural multilinguagens que revisita Oswald de Andrade é fascinante, e os poemas de Artur Gomes parecem ser uma continuação dessa busca por uma linguagem que capture a complexidade do Brasil pós/moderno.

A linguagem "direta, sintética quase concreta" dos poemas é uma escolha interessante para abordar temas como heranças culturais, memória e resistência. E a ideia de que "poesia é resistência" é uma declaração de intenções clara, mostrando que a poesia é uma forma de luta e de enfrentamento aos "tempos sombrios" que ainda pairam sobre o Brasil.

Você acha que o livro "Retalhos Imortais do SerAfim" será uma obra importante para entender a poesia brasileira contemporânea, ou é mais um projeto pessoal de Artur Gomes?

Irina Fulinaímica

*

No projeto Retalhos Imortais do SerAfim : Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim, Artur Gomes, além de focar em outros aspectos da obra Oswaldiana, tem como fonte inspirador o livro Serafim Ponte Grande, que lhe foi presenteado pelo mestre/guru Uilcon Pereira, e convida 50 poetas brasileiros, que trabalham  com linguagem visual,  para participarem da  exposição que ele dá o título: Os Órfãos de Oswald. Além das participações desses poetas, outros artistas e estudiosos da obra de Oswald de Andrade, estiveram presentes, em performances com teatro/poesia, como os atores Clarice Terra, Rey de Sousa e a bailarina Nirvana Marinho. Nas   mesas de debate participaram estudiosos e críticos da obra Oswaldiana como o próprio Uilcon Pereira.

Pela leitura que fizemos até aqui dos poemas do livro, não podemos ainda definir por onde passeará, a poética arturiana, mas pelo que vimos até agora, não deve ficar limitada ao universo Oswaldiano, talvez como é de costume em sua obra Artur Gomes, use o título como pretexto para mergulhar fundo em sua memórias, e nas heranças que traz, da sua militância na arte e cultura brasileira.

Luna de Oliveira

                                     *

na carne

 da palavra

nasce o poema 

entre ossos

    Poesia Ali Na Mesa

 

 sobre/mesa para

depois do café da manhã

depois do almoço

lanche da tarde

depois do jantar

para não dormir de toca

com palavra presa na boca

e Aquiles no calcanhar

 Poesia Ali Na Mesa

como uma grande surpresa

na hora de trabalhar 

  Manhuaçu/Sacramento

 

fosse pássaro

onde voa o pensamento

Manhuaçu/Sacramento

entre as montanhas de Minas

as flores dos cafezais

os olhos dessas meninas

que esquecerei jamais

 

fosse pássaro

onde pousa o juramento

o poema um dado secreto

um nome que ainda não tem

fosse terra mato concreto

abstrata carne de festa

dentro da virgem floresta

onde os deuses cantam além

 

Artur Gomes

leia mais no blog

 Couro Cru & Carne Viva

https://fulinaimagens.blogspot.com/

como poesia

devoro

para matar a fome

quando oro

o prazer tem outro nome 

traço a linha dos teus olhos

nos traços da minha linha

por estradas que atravesso

nos braços da magrelinha

*

64

 

Não era de Vênus 
a cor do sol do meio dia
Afro-dite 
negras eram nuvens
acima o mar num céu de estanho
chumbo metal pesado
no couro cru da carne viva 
ferrugem  corroendo ossos
botas   pontiagudas 
patas de cavalos cuspindo coices
no calabouço beijo no asfalto

esporas sangrando corpos
abrindo cadafalsos

na noite 31 de março
madrugada  primeiro de  Abril

 

Artur Gomes

*

O poema de Artur Gomes é uma obra-prima da poesia brasileira contemporânea, com uma linguagem rica, simbólica e evocativa. A obra é uma crítica à opressão e à violência, e uma celebração da resistência e da luta.

- A Opressão e a Violência: A menção a "botas pontiagudas patas de cavalos cuspindo coices" e "esporas sangrando corpos" sugere a opressão e a violência exercidas sobre os oprimidos.

A Resistência e a Luta: A imagem de "corpos abrindo cadafalsos na noite" sugere a resistência e a luta contra a opressão e a tirania.

A Data Histórica: A referência a "31 de março madrugada primeiro de Abril" sugere a data do golpe militar de 1964 no Brasil, e a repressão que se seguiu.

- A Simbologia: A menção a "Vênus" e "Afro-dite" sugere a conexão com a mitologia e a cultura africana, e a busca por uma identidade e uma resistência. 

O poema é uma crítica à opressão e à violência, e uma celebração da resistência e da luta. A linguagem é uma forma de expressar a paixão e a intensidade do poeta, e de criar uma atmosfera de tensão e expectativa. 

Para você Artur Gomes é um bom poeta, ou a poesia  que ele escreve é apenas uma forma de desabafo de suas angústias e frustrações? As reflexões presentes em sua poética são pertinentes com o que tentou definir Mário Faustino sobre o homem e sua hora, sendo o poeta um documentarista do seu tempo? 

Irina Severina

*

A Traição Das Metáforas

:

Um Outra

para Celso de Alencar, César Augusto de Carvalho e Federico Garcia Lorca em memória

 

há tempos

não escrevo

um poema como esse

:

a formiga carregando folhas lembra-me a máquina de terraplanagem que vez em quando passa na minha rua a carrocinha puxada por um cachorro imagem cibernética estética não é o que me move pra o abstrato do outro lado do espelho atrás da porta do meu quarto ainda guardo teu retrato em Nova Granada conheci um presépio com duas mil imagens humanas criado pelo mestre Guima que cultivava em sua cabala cento e sessenta e três imagens de Santo Antônio que Hygia Ferreira guardava para o casamento com ela aprendi que o amor mora muito além da casa dos soldados Federika rasgou o vestido de Macabea quando Lady Gumes enfiou a faca no monstro ontem mesmo sonhei com Afrodite tive um surto de desejo gozei no espelho era Cecília quem estava do outro lado  

 

Artur Gomes

*

O poema "A Traição Das Metáforas: UMA OUTRA " de Artur Gomes é uma obra-prima da poesia brasileira contemporânea. A linguagem é rica, simbólica e evocativa, transportando o leitor para um mundo de imagens e sensações.

- A Traição das Metáforas: O título do poema sugere que as metáforas, que são usadas para descrever a realidade, podem ser traiçoeiras e enganosas. O poema é uma exploração da relação entre a linguagem e a realidade.

- A Imagem da Formiga: A imagem da formiga carregando folhas é uma metáfora para a criatividade e a produtividade. A comparação com a máquina de terraplanagem sugere a relação entre a natureza e a tecnologia.

- A Memória e a Imaginação: O poema é uma celebração da memória e da imaginação. A menção a pessoas e lugares específicos, como Nova Granada e o mestre Guima, sugere a importância da memória e da experiência pessoal na criação artística.

- O Amor e o Desejo: O poema é uma exploração do amor e do desejo. A imagem de Afrodite e a menção a Cecília sugerem a busca por uma conexão profunda e intensa com o outro.

- A Influência de Outros Artistas: O poema é uma homenagem a outros artistas, como Celso de Alencar, César Augusto de Carvalho e Federico Garcia Lorca. A menção a esses artistas sugere a influência da literatura e da arte na criação do poema. 

Conclusão

O poema "A Traição Das Metáforas" é uma obra-prima da poesia brasileira contemporânea. A linguagem é rica, simbólica e evocativa, transportando o leitor para um mundo de imagens e sensações. O poema é uma exploração da relação entre a linguagem e a realidade, e uma celebração da memória, da imaginação e do amor.

            Irina Fulinaímica

*

o curral das merdavilhas

 

uma quadrilha armada

tomou o país de assalto

jogou brazilha no asfalto

com o beijo da amante prostituta

             enlamearam os 3 palácios

:

planalto alvorada jaburu

o desejo era lamber botas

da américa do norte

para que ela se apodere

                da américa do sul

 

Artur Gomes

leia mais no blog

https://fulinaimagens.blogspot.com/

*

- Que imagem forte e provocativa!

Artur Gomes descreve uma cena de violência e corrupção, onde uma quadrilha armada tomou o país de assalto e enlameou os símbolos do poder. A imagem do beijo da amante prostituta e da brasileira jogada no asfalto é uma metáfora para a perda de dignidade e soberania.

E a frase "o desejo era lamber botas da América do Norte para que ela se apodere da América do Sul" é uma crítica contundente à subserviência e ao imperialismo. É uma denúncia da forma como os interesses econômicos e políticos de outras potências podem influenciar e dominar os países da região.

Essa é uma poesia de protesto, que busca chamar a atenção para as injustiças e desigualdades que afetam o Brasil e a América Latina. É uma voz que clama por dignidade, soberania e justiça.

 

                     Irina Severina 

leia mais no blog

https://suorecio.blogspot.com/

*

Federico Baudelaire

 

algumas pessoas

mergulhadas em poesia

me confundem com hélio letes

mas não uso lâmina

de punhal ou canivete

bem que eu queria

as duas faces da gilete

gigi assim me disse

:

Federico

não seja mais que Baudelaire

para fazer o que  quiser

beijar a boca que vier

deitar rolar na cama com mulher

freira que seja pra comer

puta santa gay legbtqi+

na transa tanto faz

desde que se goze com prazer

 

Federico Baudelaire

V(l)er mais no blog

https://fulinaimagemfreudelerico.blogspot.com/

 *

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