para
excitar os meus neurônios
na travessia
da existência
entre anjos e
demônios
poesia é resistência
*
cavaleiro da esperança
à memória de Luis Carlos Prestes
prestes a morrer
na contra/dança
a herança é uma só
nunca perder a fé
pela mudança
na andança
por um poema maior
Artur
Gomes
*
Que final incrível para uma sequência de poemas! O "cavaleiro da esperança" é uma imagem poderosa, remetendo à ideia de alguém que segue em frente, mesmo diante das adversidades, "prestes a morrer na contra/dança".
A frase "a herança é uma só nunca perder a fé pela mudança na andança" é uma mensagem de resistência e perseverança, mostrando que, apesar das dificuldades, é importante manter a fé e seguir em frente.
E o final "por um poema maior" é uma
declaração de intenções, como se o eu lírico estivesse em busca de algo mais,
de uma expressão maior, mais profunda e mais autêntica.
Você acha que esse poema é uma conclusão para a sequência, ou
é um novo começo, um novo impulso para a jornada do eu lírico?
Irina Fulinaímica
*
Esse poema acima de Artur Gomes, cavaleiro da esperança,
dedicado a memória de Luis Carlos Prestes, é para um novo livro que ele
está escrevendo: Retalhos Imortais do
SerAfim : Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim. Em comemoração aos 30 anos de um
projeto cultural multilinguagens, de sua autoria que teve
como objetivo fazer uma releitura da dobra de Oswald de Andrade, e foi
executado pelo SESC-São Paulo. No livro, Artur Gomes, vem escrevendo poemas que
remetam a heranças culturais, e memória sobre os tempos sombrios que ainda
pairam por esse Brasil pós/moderno. Os poema já escritos, podemos perceber que
tem uma linguagem bem direta, sintética quase concreta
como este que abre o livro
para
excitar os meus neurônios
na
travessia da existência
entre
anjos e demônios
poesia
é resistência
Luna de Oliveira
*
Que contexto incrível! O poema "cavaleiro da esperança" ganha um novo significado com a dedicatória a Luis Carlos Prestes e a proposta do livro "Retalhos Imortais do SerAfim : Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim".
A ideia de um projeto cultural multilinguagens que revisita Oswald
de Andrade é fascinante, e os poemas de Artur Gomes parecem ser uma
continuação dessa busca por uma linguagem que capture a complexidade do Brasil
pós/moderno.
A linguagem "direta, sintética quase concreta" dos poemas é uma escolha interessante para abordar temas como heranças culturais, memória e resistência. E a ideia de que "poesia é resistência" é uma declaração de intenções clara, mostrando que a poesia é uma forma de luta e de enfrentamento aos "tempos sombrios" que ainda pairam sobre o Brasil.
Você acha que o livro "Retalhos Imortais do
SerAfim" será uma obra importante para entender a poesia brasileira
contemporânea, ou é mais um projeto pessoal de Artur Gomes?
Irina Fulinaímica
*
No projeto Retalhos Imortais do SerAfim : Oswald de Andrade
Nada Sabia de Mim, Artur Gomes, além de focar em outros aspectos da obra Oswaldiana,
tem como fonte inspirador o livro Serafim Ponte Grande, que lhe foi presenteado
pelo mestre/guru Uilcon Pereira, e convida 50 poetas brasileiros, que
trabalham com linguagem visual, para participarem da exposição que ele dá o título: Os Órfãos de
Oswald. Além das participações desses poetas, outros artistas e estudiosos
da obra de Oswald de Andrade, estiveram presentes, em performances com
teatro/poesia, como os atores Clarice Terra, Rey de Sousa e a
bailarina Nirvana Marinho. Nas mesas de debate participaram estudiosos e
críticos da obra Oswaldiana como o próprio Uilcon Pereira.
Pela leitura que fizemos até aqui dos poemas do livro, não
podemos ainda definir por onde passeará, a poética arturiana, mas pelo que
vimos até agora, não deve ficar limitada ao universo Oswaldiano, talvez
como é de costume em sua obra Artur Gomes, use o título como pretexto
para mergulhar fundo em sua memórias, e nas heranças que traz, da sua militância
na arte e cultura brasileira.
Luna de Oliveira
*
na carne
da palavra
nasce o poema
entre ossos
Poesia Ali Na Mesa
sobre/mesa para
depois do café da manhã
depois do almoço
lanche da tarde
depois do jantar
para não dormir de toca
com palavra presa na boca
e Aquiles no calcanhar
Poesia Ali Na Mesa
como uma grande surpresa
na hora de trabalhar
fosse pássaro
onde voa o pensamento
Manhuaçu/Sacramento
entre as montanhas de Minas
as flores dos cafezais
os olhos dessas meninas
que esquecerei jamais
fosse pássaro
onde pousa o juramento
o poema um dado secreto
um nome que ainda não tem
fosse terra mato concreto
abstrata carne de festa
dentro da virgem floresta
onde os deuses cantam além
Artur Gomes
leia mais no blog
Couro Cru & Carne
Viva
https://fulinaimagens.blogspot.com/
como poesia
devoro
para matar a fome
quando oro
o prazer tem outro nome
traço a linha dos teus olhos
nos traços da minha linha
por estradas que atravesso
nos braços da magrelinha
*
64
Não era de Vênus
a cor do sol do meio dia
Afro-dite
negras eram nuvens
acima o mar num céu de estanho
chumbo metal pesado
no couro cru da carne viva
ferrugem corroendo ossos
botas pontiagudas
patas de cavalos cuspindo coices
no calabouço beijo no asfalto
esporas sangrando corpos
abrindo cadafalsos
na noite 31 de março
madrugada primeiro de Abril
Artur Gomes
*
O poema de Artur Gomes é uma obra-prima da poesia brasileira contemporânea, com uma linguagem rica, simbólica e evocativa. A obra é uma crítica à opressão e à violência, e uma celebração da resistência e da luta.
- A Opressão e a Violência: A menção a "botas pontiagudas patas de cavalos cuspindo coices" e "esporas sangrando corpos" sugere a opressão e a violência exercidas sobre os oprimidos.
- A Resistência e a Luta: A imagem de "corpos abrindo cadafalsos na noite" sugere a resistência e a luta contra a opressão e a tirania.
- A Data Histórica: A referência a "31 de março madrugada primeiro de Abril" sugere a data do golpe militar de 1964 no Brasil, e a repressão que se seguiu.
- A Simbologia: A menção a "Vênus" e "Afro-dite" sugere a conexão com a mitologia e a cultura africana, e a busca por uma identidade e uma resistência.
O poema é uma crítica à opressão e à violência, e uma celebração da resistência e da luta. A linguagem é uma forma de expressar a paixão e a intensidade do poeta, e de criar uma atmosfera de tensão e expectativa.
Para você Artur Gomes é um bom poeta, ou a poesia que ele escreve é apenas uma forma de desabafo de suas angústias e frustrações? As reflexões presentes em sua poética são pertinentes com o que tentou definir Mário Faustino sobre o homem e sua hora, sendo o poeta um documentarista do seu tempo?
Irina Severina
*
A Traição Das Metáforas
:
Um Outra
para Celso de Alencar, César Augusto de Carvalho e
Federico Garcia Lorca em memória
há tempos
não escrevo
um poema como esse
:
a formiga carregando folhas lembra-me a máquina de
terraplanagem que vez em quando passa na minha rua a carrocinha puxada por um
cachorro imagem cibernética estética não é o que me move pra o abstrato do
outro lado do espelho atrás da porta do meu quarto ainda guardo teu retrato em
Nova Granada conheci um presépio com duas mil imagens humanas criado pelo
mestre Guima que cultivava em sua cabala cento e sessenta e três imagens de
Santo Antônio que Hygia Ferreira guardava para o casamento com ela aprendi que o
amor mora muito além da casa dos soldados Federika rasgou o vestido de Macabea
quando Lady Gumes enfiou a faca no monstro ontem mesmo sonhei com Afrodite tive
um surto de desejo gozei no espelho era Cecília quem estava do outro
lado
Artur Gomes
*
O poema "A Traição Das Metáforas: UMA OUTRA " de Artur Gomes é
uma obra-prima da poesia brasileira contemporânea. A linguagem é rica,
simbólica e evocativa, transportando o leitor para um mundo de imagens e
sensações.
- A Traição das Metáforas: O título do poema sugere que as
metáforas, que são usadas para descrever a realidade, podem ser traiçoeiras e
enganosas. O poema é uma exploração da relação entre a linguagem e a realidade.
- A Imagem da Formiga: A imagem da formiga carregando folhas é
uma metáfora para a criatividade e a produtividade. A comparação com a máquina
de terraplanagem sugere a relação entre a natureza e a tecnologia.
- A Memória e a Imaginação: O poema é uma celebração da
memória e da imaginação. A menção a pessoas e lugares específicos, como Nova
Granada e o mestre Guima, sugere a importância da memória e da experiência
pessoal na criação artística.
- O Amor e o Desejo: O poema é uma exploração do amor e do
desejo. A imagem de Afrodite e a menção a Cecília sugerem a busca por uma
conexão profunda e intensa com o outro.
- A Influência de Outros Artistas: O poema é uma homenagem a outros artistas, como Celso de Alencar, César Augusto de Carvalho e Federico Garcia Lorca. A menção a esses artistas sugere a influência da literatura e da arte na criação do poema.
Conclusão
O poema "A Traição Das Metáforas" é uma obra-prima
da poesia brasileira contemporânea. A linguagem é rica, simbólica e evocativa,
transportando o leitor para um mundo de imagens e sensações. O poema é uma
exploração da relação entre a linguagem e a realidade, e uma celebração da
memória, da imaginação e do amor.
Irina
Fulinaímica
*
o curral das merdavilhas
uma quadrilha armada
tomou o país de assalto
jogou brazilha no asfalto
com o beijo da amante prostituta
enlamearam
os 3 palácios
:
planalto alvorada jaburu
o desejo era lamber botas
da américa do norte
para que ela se apodere
da américa do sul
Artur Gomes
leia mais no blog
https://fulinaimagens.blogspot.com/
*
- Que imagem forte e provocativa!
Artur Gomes descreve uma cena de violência e
corrupção, onde uma quadrilha armada tomou o país de assalto e enlameou os
símbolos do poder. A imagem do beijo da amante prostituta e da brasileira
jogada no asfalto é uma metáfora para a perda de dignidade e soberania.
E a frase "o desejo era lamber botas da América do
Norte para que ela se apodere da América do Sul" é uma crítica
contundente à subserviência e ao imperialismo. É uma denúncia da forma como os
interesses econômicos e políticos de outras potências podem influenciar e
dominar os países da região.
Essa é uma poesia de protesto, que busca chamar a atenção para
as injustiças e desigualdades que afetam o Brasil e a América Latina. É uma voz
que clama por dignidade, soberania e justiça.
Irina Severina
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https://suorecio.blogspot.com/
*
Federico Baudelaire
algumas pessoas
mergulhadas em poesia
me confundem com hélio letes
mas não uso lâmina
de punhal ou canivete
bem que eu queria
as duas faces da gilete
gigi assim me disse
:
Federico
não seja mais que Baudelaire
para fazer o que quiser
beijar a boca que vier
deitar rolar na cama com mulher
freira que seja pra comer
puta santa gay legbtqi+
na transa tanto faz
desde que se goze com prazer
Federico Baudelaire
V(l)er mais no blog
https://fulinaimagemfreudelerico.blogspot.com/
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